Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2003

Balanço

Sans toi les émotions d’aujourd’hui
ne seraient que la peau morte des émotions d’autrefois

(de “Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain”)

2003 foi (tem sido) um ano bom. Posso reclamar não. Dá até vontade de passar o reveillon em Brasília de novo, uma superstiçãozinha de leve, só pra garantir que 2004 também seja legal. Infelizmente, não vai dar. Ano passado eu pelo menos tinha a desculpa da posse do Lula. Aproveitei a posse para rever velhos e novos amigos, além de conhecer muita gente legal. Quanto à posse, ficou com aquele gosto de anticlímax que a gente já esperava: o Lula foi um marlim que levamos tempo demais para pescar e, quando finalmente conseguimos, os tubarões comeram tudo. Chegando à praia, quase mortos de cansaço, tínhamos apenas os ossos para exibir (sim, até eu já li Hemingway).
Mas o que de bom aconteceu compensou em muito essa decepção (ao menos para mim). Foi o ano, por exemplo, da festa de aniversário do blog. Sucesso absoluto, quase duzentas pessoas compareceram, foi assunto pra mais de um mês. Até hoje não acredito que eu pude fazer algo tão bem sucedido. Eu! Pelamordedeus! Quero só ver como será a festa de dois anos.
Foi o ano em que Risadinha conheceu Ana, e Daniela, finalmente, encontrou deus. O ano em que Dave Matthews esbarrou com a filha do Silvio Santos. Em que Paulo Polzonoff virou homem e encarou uma mudança total em sua vida só pelo gosto de ficar ao lado de sua menina Paula. Em que Juliana Kataoka e Gabriel Lucca selaram os laços do sagrado matrimônio. Por falar em matrimônio, fui padrinho de casamento este ano. Não qualquer um, aliás: o casamento do Nazareno, que hoje está feliz e saltitante com sua senhôura. Com tanta coisa acontecendo, só mesmo dois songomongos feito eu e o Tonon para continuarmos encalhados. Coisa triste.
Viajei muito, voltei a Brasília ainda uma vez, fui várias vezes ao Rio e a Curitiba, tudo para ver os amigos. Conheci deus! O Polzonoff! O Rafael! Um monte de gente!
Minha irmã resolveu ter um filho, meu irmão resolveu criar juízo (o que vale é a intenção). Consegui me aproximar um pouquinho mais da minha família, o que sempre foi muito difícil para mim. Além disso, entrei em pelo menos três ambientes até então inimagináveis: a autoescola, o consultório do ortodontista e a academia. É quase nada, eu sei, mas para alguém com a fobia de mudanças que eu tenho, porra!, foi um grande passo.
Fiz vários novos amigos, fortaleci os laços com os velhos amigos, conheci mulheres interessantíssimas, me apaixonei, escrevi coisinhas bonitinhas. Concluí a sátira de quatro livros da Bíblia, pavimentando assim o meu caminho para a danação eterna, ou para o cargo de bobo da côrte de Deus, sei lá, cada um fala uma coisa, confusão arretada. Chicote Verbal e Emotionrélio morreram e ressuscitaram algumas vezes. O Balde de Gelo parece parado, mas não se enganem: eu e Daniela teremos novidades para vocês no próximo ano.
Enfim, foi um ano bom. Muito bom. Espero que 2004 seja melhor ainda, mas duvido muito. Porque, vejam, 2003 foi o ano em que eu conheci a Fer, e aí tudo fez sentido de repente. Taí um acontecimento insuperável. A não ser que… Nah, deixa pra lá. Como bem me ensinou o sábio Ruy Goiaba, Speak low if you speak “happiness”.

Espero que 2003 tenha sido um bom ano para vocês também. Se não foi, paciência: que 2004 o seja. Feliz ano novo, cambada de feladaputa.

Bah!

Pô, então cês não gostaram das cores novas? Humpf. Ainda bem que eu gostei…

A derrota final dos midianitas

(Juízes 8:1-21)

No penúltimo capítulo, vimos que Gideão formou seu exército com homens de Manassés, Aser, Zebulom e Naftali. Depois da batalha contra os midianitas, os homens da tribo de Efraim foram falar com Gideão. Os efraimitas eram os melhores guerreiros de Israel, e ficaram indignados por não terem sido chamados logo no começo dos preparativos para a guerra.
— Porra, Gideão, como cê dá uma mancada dessa? Achamos que cê fosse nosso mano. Qual o quê! Na hora que o bicho pegou, convocou um monte de bundas-moles e se esqueceu de Efraim. Tá doido?
Gideão, que de besta não tinha nada, contornou bem a situação:
— Que é isso, meus amigos? Não entendo a reclamação de vocês. Tá certo, eu não convoquei ninguém da tribo de vocês para o meu exército. Tudo bem. Mas vejam o que eu fiz contra os midianitas e o que vocês fizeram. Vocês mataram os príncipes deles! O que eu e meus homens fizeram não é nada comparado a isso. E era de se esperar, não? Afinal de contas, os descendentes de Efraim são os homens mais valentes de Israel.
— Pô, também não é pra tanto…
— Claro que é! Eu sou fã de vocês. Cá entre nós, queria ter nascido efraimita.
— Ô, Gideão, assim cê deixa a gente sem graça…
— Mas é tudo verdade.
— Hum. Pô. Obrigado, então. Valeu mesmo.
Os efraimitas podiam ser os melhores guerreiros, mas não eram imunes à lisonja. Assim Gideão se livrou deles e continuou a perseguir os midianitas. Arrá, pensaram que já tinha acabado, né? Que nada! A batalha continuava. Os trezentos homens, quase mortos de cansaço, atravessaram o Jordão atrás dos midianitas. Chegando a Sucote, Gideão foi falar com os homens da cidade:
— Ô, meus camaradas! Estou perseguindo Zeba e Salmuna, os líderes midianitas. Vou ver se livro a região dessa praga. Só que meus homens estão mais pra lá do que pra cá, então resolvi vir aqui ver se vocês podiam arrumar um pouco de comida pra gente.
— Zeba? Salmuna? Cadê?
— Ai caralho… Eu falei que tô perseguindo os caras. Não peguei ainda.
— Pffff… E por que daríamos comida ao seu exército, se vocês nem prenderam os chefes midianitas.
— Ah, é assim? É assim? Tudo bem. Vamos continuar nosso caminho. Mas quando eu pegar Zeba e Salmuna, volto aqui e rasgo a carne de vocês com os espinhos das plantas do deserto.
Emputecido, Gideão foi com seus homens até a cidade de Penuel para ver se conseguia alimento por lá. Os homens da cidade, porém, deram a mesma resposta que os de Sucote.
— Ah, puta que pariu! Cês vão ver! Cês vão ver! Eu vou prender os chefes midianitas, depois vou voltar aqui e derrubar essa torre aí.
Assim mesmo, famintos e cansados, os trezentos soldados continuaram sua perseguição aos midianitas. Zeba e Salmuna, os líderes midianitas sobrevivente, estavam em Carcor com seu exército. Dos 135 mil midianitas, amalequitas e demais beduínos, haviam sobrado apenas 15 mil. E não por muito tempo: Gideão levou seus homens pelo caminho que contornava o deserto e atacou o inimigo de surpresa. Os midianitas, que não entendiam nada de estratégia militar, demoraram a reagir mais uma vez. Resultado: todos mortos, com exceção dos líderes, que Gideão levou como troféu até Sucote. Lá chegando, amarrou os setenta e sete líderes da cidade e os açoitou com plantas espinhentas. Depois foi até Penuel, derrubou a torre e matou todos os homens da cidade. Fsito isso, tratou de resolver sua pendenga com Zeba e Salmuna.
— Vocês se lembram dos homens que mataram em Tabor?
— Tabor? Homens? Matamos?
— RESPONDAM A PERGUNTA!
— Lembro sim.
— É, eu também.
— Lembram da cara deles?
— Ah, pareciam uns princípes!
— Noffa, cada rapagão!
— Eram parecidos com você, sabia?
— Sabia. ERAM MEUS IRMÃOS, SEUS FILHOS DA PUTA!
— Er… Irmãos?
— É! Irmãos! Eu juro por Javé que, se vocês não tivessem matado meus irmãos, eu os deixaria viver agora. Mas também não vou sujar minha mão com o sangue de vocês. Jéter!
— Oi, pai.
— Pega a espada e mata esses dois.
— Mas… Mas…
— Mas o quê? Tá com medo de matar dois midianitas mequetrefes?
— Não é isso.
— É o quê, então?
— É QUE EU SÓ TENHO OITO ANOS!
— Ah, é. Vai brincar lá fora, deixa que eu faço o serviço. Ô porra de moleque que não cresce logo…
Então Gideão matou Zeba e Salmuna, terminando assim a guerra contra os midianitas. Finalmente.

Mas…

Vou dividir o capítulo em três. Fim de ano!

Parei.

Tenham dó!

O próximo capítulo é grande que só a porra!

ARGH!

Dá moleza só de pensar em escrever o próximo capítulo.

Bate aquela preguiça

Aí não dá, né?

Sabem como é

Fim de ano, coisa e tal…

Hum…

Tô a fim de posts longos hoje não.

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