Como é triste fazer graça

Então no meio desse turbilhão de mau humor, resolvi tomar um remédio. E como os sintomas dessa vez são bastante sérios, resolvi tomar uma dose cavalar: O Sentido da Vida, do Monty Python. E uma coisa esquisita aconteceu: A cada piada genial, eu começava a chorar. Porque se já é bem triste fazer o humor rasteiro que faço aqui, imagino o quão doloroso deve ser fazer aquele tipo de humor sofisticado.
Todo palhaço é triste, porque percebe a vida como ela é de verdade: Ridícula, mais nada.

Mas vale a pena

Mas vale a pena porque
DEUS ESTÁ DE VOLTA!!!

Dois terços

Teve capítulo novo hoje aqui e no Chicote Verbal. Mas depois disso o mau humor foi decretado, então no Balde de Gelo não vai ter. Talvez amanhã.

deixa eu falar um negócio…

DEUS ESTÁ DE VOLTA!!!
Obrigado, senhor!

A corporação do mau humor

Tenho em minha mesa um troféu que ganhei no final de 2000. Muito bonito, de acrílico, traz escrito em azul: “DESTAQUES 2000 – Marco Aurélio Gois dos Santos – Senso de Humor”. Naquele ano, fizeram uma eleição para escolher funcionários que se destacavam em vários aspectos, e meus colegas me escolheram pelo senso de humor. Pode-se achar isso uma coisa meio besta, prêmio de consolação para quem frustrou a própria vida, mas foi recebido por mim com muito carinho e ostentado com certo orgulho.
De uns tempos para cá, no entanto, uma profunda mudança foi operada e o bom humor foi abolido da empresa. Os funcionários devem cultivar a sisudez e exercitar uma mentalidade cinzenta. Que pena. Meu troféu tão querido irá para a gaveta, juntamente com meu outro troféu (de viado), os vários brinquedos, as fotos engraçadinhas.
Vou me esforçar para mudar, a começar pela decoração da minha área de trabalho. Talvez grudar os Dez Mandamentos na minha mesa, botar o Sagrado Coração de Jesus como fundo de tela. E minhas fotos são mesmo muito inadequadas: Tenho cara de palhaço, o que não condiz com o cenário. Preciso procurar alguma foto que melhor se adapte ao ambiente. Adolf Hitler, talvez.

IMPRESSIONANTE!!!

O Emotionrélio nasceu anteontem e já teve 393 visitas ontem. Porra, o Jesus, me chicoteia! levou uns quatro meses pra chegar a tanto. Sacanagem…

Camisetas

Seguinte: Tem um monte de gente me pedindo camiseta e parece que eu estou enrolando e tal. Não é nada disso. Fiz duas camisetas para mim, e ficaram uma merda. Com esse negócio de transfer fica parecendo que pegaram um adesivo retangular com o logo do blog e colaram na camiseta. É sério, tá feio pra caralho. Então, enquanto eu não arrumar um jeito de fazer camisetas decentes, nada feito.
Aceito sugestões.

Cake

I wanna a girl
with a short skirt
and a lonnnnnnnnnnng jacket

Os israelitas ao pé do monte Sinai 1

Três meses depois da saída do Egito, os hebreus chegaram ao deserto do Sinai. Três meses andando de lá pra cá e nada de Terra Prometida. Moisés e Arão lideravam um povo impaciente. Vendo aquilo, deus resolveu interferir ligando para Moisés.
— Moisés, tenho duas coisas pra te falar.
— D-diz a-aí.
— Primeira: Muda o toque dessa porra de celular, que “I will survive” te compromete…
— T-tá b-bom.
— Segunda: Sobe o monte Sinai que eu vou te econtrar lá. Precisamos conversar a respeito desse povinho bunda aí.
Moisés mudou o toque do celular para o Nokia tune. Depois disso, pegou uns suprimentos e subiu o monte para falar com deus.
— Moisés, negócio seguinte: Cê vai falar praquele povo que eles viram muito bem o que eu fiz por eles. As pragas, a travessia do Mar Vermelho, a água saindo da rocha, o maná, as codornas, o…
— P-peraí. C-cê não v-vai co-colocar os li-links?
— Nah, mó preguiça… Mas eu dizia: Eles viram a presepada toda. Então. Se eles forem bonzinhos e me obedecerem, serão o meu povo escolhido.
— U-ué. M-mas vo-você já n-não é d-dono de to-todas as co-coisas?
— Hum. Er… Sou, claro que sou, sou! Eu sou é deus, não sou? SOU! Então. Mas Israel vai ser o meu povo, entende? O predileto do papai aqui, o protegido, o que vai ganhar os melhores presentes, o que vai fazer natação e judô, o que vai estudar em escola particular, o que vai…
— T-tá, já e-eeeentendi.
— Certo. Então eu vou conceder uma coletiva para os israelitas depois de amanhã, aqui mesmo no Sinai.
— L-legal! Pe-perguntas p-por e-escrito?
— Que perguntas? Não vai ter pergunta nenhuma não! Eu falo, vocês escutam. Perguntas! Era o que me faltava…
— U-ué, p-por que n-não?
— Porque sempre vai ter um babaca pra fazer aquelas perguntas de sempre: “Se deus é tão bom, porque existe tanta maldade no mundo?”. Ou: “Por que nascem tantas crianças defeituosas?”. Ou então: “Se é pra ser feita a vontade de deus de qualquer forma, de que adianta rezar”. Ou ainda: “Deus, nesse calor do deserto até elefante na bunda sua?”, “E quando o Nilo seca, crocodilo no seco anda?”, “No meio do deserto não seria bom para o senhor uma chuvinha em cima?”, ARGH! Fico puto com essas perguntinhas, sempre as mesmas. Portanto vai ser assim: Eu vou falar, falar, falar. Vocês vão escutar, escutar, escutar. E aplaudir no final. Beleza?
— B-beleza.
— Ah, Moisés, só mais uma coisinha: Esse povo tá aí vagando pelo deserto há três meses, sem tomar banho direito. Às vezes lá de cima eu sinto a catinga. Fala pra eles tomarem banho e lavarem as roupas antes da entrevista. Ah, e pra garantir, eles só vão poder ficar ali no sopé. Quem encostar no monte será condenado à morte.
— Q-que e-exagero!
— Exagero porra nenhuma! Sou um deus limpinho, não suporto gente suja e maltrapilha. Agora vai e prepara tudo. Avisa pra eles só chegarem perto quando ouvirem meu saxofone.
— S-sa-saxofone?
— É, tô fazendo aula, mó barato. Cê vai ver. Por enquanto, vai lá e avisa os caras.
Moisés desceu o monte e tratou logo de mandar um e-mail para israelitas@exodo.org avisando sobre a entrevista coletiva e os preparativos necessários.
Dois dias depois, uma nuvem escura desceu sobre o Sinai. Trovões, relâmpagos. De repente, um som de saxofone muito mal tocado saiu de dentro da nuvem. Uma coisa remotamente parecida com Kenny G, que já é suficientemente ruim quando bem tocado. Todos os israelitas ficaram com medo de chegar perto do monte e ficarem surdos. Mas Moisés tanto insistiu que eles acabaram se aproximando. O Sinai estava soltando fumaça e o som do saxofone ficava cada vez mais alto e distorcido. Querendo acabar logo com aquela tortura, Moisés ligou para deus:
— J-J-Ja-Javé, e-estamos aqui n-no pé d-do mo-monte. P-pode pa-parar de t-tocar.
— Ôpa, legal. Sobe aqui Moisés. Só você, hein? Se mais alguém subir, morre.
Moisés começou a subir o monte. Oitenta anos de idade, aquela subida escarpada, chegou lá em cima com a língua pra fora.
— Já chegou Moisés? Legal. Agora desce lá e chama o Arão, que eu quero falar com ele também.
— N-não p-preciso de-descer. Eu l-ligo p-pra ele…
— Não! Eu quero que você desça e chame o cara.
— M-mas p-por quê???
— Porque eu me divirto com isso, Moisés. Vai lá.
“Filho da puta”, pensou Moisés, e começou a descer novamente.
— Moisés?
— F-fala.
— Ouvi o que você pensou. Melhor não abusar, viu?
— B-bah!
Quando Moisés já estava lá embaixo procurando Arão, deus falou com o povo. O que ele disse? Ah, um negócio tão legal que merece um capítulo próprio. Fica pra depois.

Aos poucos

Parte da promessa está cumprida: Tem capítulo novo no Chicote Verbal.