Pergunte ao Pó

Tem que ser macho pra ler esse livro. Puta que pariu. No meu atual estado de bloqueio, esse trecho me pegou no pulo:

Dias magros de teimosia. Essa era a palavra, teimosia: Arturo Bandini diante da máquina de escrever dois dias seguidos, decidido a ter sucesso; mas não funcionou, o mais agudo ataque de teimosia de sua vida, e nem uma linha, só uma palavra repetida pela página, de cima a baixo, a mesma palavra: palmeira, palmeira, palmeira, uma luta de morte entre a palmeira e eu, e a palmeira ganhou: olha lá ela balançando no ar azul, farfalhando doce no ar azul. A palmeira venceu depois de dois dias de luta, e eu rastejei pela janela e me sentei aos pés da árvore.

Começo a entender porque John Fante fez o que fez nas vidas de gente como Charles Bukowski e Clarah Averbuck. Clarah, ninguém empresta um livro assim à toa. Pergunte ao Pó é uma arma.